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Eu ou nós?

Afinal, a salvação é individual ou comunitária? A conversão necessária para a manifestação do Reino de Deus é pessoal ou social?

“Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! (Mt 27, 42ª)

Ao longo dos meus estudos no ginásio, no colegial e na faculdade muitos trabalhos acadêmicos foram propostos (impostos?) pelos professores para a classe desenvolver em grupos de alunos. Assim, nos reuníamos no outro período livre na casa de algum de nós ou na biblioteca municipal em Ribeirão Preto para ler, discutir e redigir os textos. Havia divisão do trabalho e a presença de todos era obrigatória. Eventualmente, por algum motivo justo, o nome de algum colega era incluído no trabalho mesmo no seu impedimento em colaborar. Então, tínhamos um misto de esforço individual e de trabalho de equipe para alcançar o objetivo de aprender, tirar nota, ser aprovado. E nos alegrávamos com as boas notas tiradas pelos outros para as quais, de alguma maneira, tínhamos parte. Estudávamos juntos para as provas e era comum, sempre que possível e “necessário”, até mesmo ajudar algum colega com alguma “cola” durante a realização das mesmas.

Digo sempre para os meus alunos da UNICAMP que no mundo corporativo moderno o perfil do profissional desejado é de quem, por um lado, tem qualificação e competência para desempenhar uma determinada função e, de outro, comprometimento e capacidade de trabalhar em equipe, de colaborar com o grupo. Ninguém vai carregar outra pessoa nas costas se ela for relapsa. Mas o individualismo também não é visto com bons olhos. A produtividade geral cai sob o modelo do “cada um pra si e Deus pra todos”. É mais valorizado o “um por todos e todos por um”. Dentre aquelas profissões muito inspiradoras desse valor, isto é, de se pensar no bem comum, no bem dos outros, estão bombeiros, socorristas, enfermeiros, guarda-vidas, professores e outros.

Na vida de fé, na vida cristã, por analogia, na busca da “salvação”, penso que deve haver uma combinação entre o esforço pessoal e o esforço comunitário. Se eu coloco o meu empenho de conversão e salvação pessoal numa perspectiva individualista, posso acabar me perdendo. Se eu penso e me comprometo com a conversão e salvação comunitária, coletiva, posso justamente aí encontrar a minha salvação, pela superação do egoísmo e pelo exercício da caridade e da solidariedade.

“Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos (...) Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; e se um membro é tratado com carinho, todos os outros se congratulam por ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.” I Cor 12, 14.26-27)

É Tempo de Quaresma, busquemos a conversão pela prática das obras de misericórdia, corporais e espirituais!