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Ouviu falar do Darwin?

Você sabia que Darwin, o famoso naturalista britânico do século XIX ao viajar ao redor do mundo a bordo de um veleiro, o HMS Beagle, pisou em praias brasileiras, colocando seus pés na Bahia e no Rio de Janeiro? De suas observações criteriosas nessas viagens exploratórias e de suas reflexões, elaborou, redigiu e publicou “A Origem das Espécies”. Sua teoria provocou alvoroço, com discussões acaloradas dentro e fora da academia entre criacionistas e evolucionistas. Para muitos daquela época (e de hoje) o poder de Deus, o poder da religião, das suas crenças e dogmas no Deus-Criador estavam sendo atacados, “ameaçados”. Como se Ciência e Religião fossem antagônicos e excludentes.

Semana passada no Brasil, outro Darwin, não sir Charles, mas um cão-guia de mesmo nome ocupou as manchetes dos noticiários da internet, por ter pisado também em areias praianas brasileiras, desta vez mais ao sul, em Santa Catarina, em Balneário Camboriú. O cão adestrado provocou protestos de alguns banhistas que não queriam admitir cachorros ali e, assim, acionaram a PM. Os policiais, desconhecedores da lei que autoriza cães-guia em qualquer ambiente público – mesmo naqueles em que outros da mesma espécie são proibidos – ameaçaram de prisão a sua dona, Olga, cega de nascença. Após a intervenção do comandante da PM catarinense, a situação foi contornada, apesar do constrangimento infligido à mulher (e ao grande Darwin). Contudo, as opiniões ficaram divididas na internet e redes sociais, sendo muitas delas contrárias a tal lei e à perigosa presença do nobre animal naquele local, sob alegação de que certamente transmitiria por suas bactérias e vírus alguma doença contagiosa para os seres humanos.

Na mesma semana em que Darwin pisava na praia, era lançada em todo o território nacional a Campanha da Fraternidade 2017 (ouça o Hino) proposta pela CNBB. Esta traz para reflexão das comunidades e para a sociedade em geral o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” com o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15). Os subsídios para reflexão e ação (ver-julgar-agir) tem base no conhecimento científico e no conhecimento bíblico-teológico que convergem para uma ideia comum: contemplemos e guardemos a Natureza, o Planeta, a mãe Terra, a criação de Deus, a Casa-Comum, da qual não somos senhores nem apenas simples usuários, mas guardiões. Respeito e relação harmônica com os outros seres – humanos ou não – é algo nobre e essencial que devemos assimilar e praticar. Intolerância, discriminação, abuso de poder, autoritarismo, materialismo, consumismo, individualismo, capitalismo selvagem e outros “ismos” que rimam com egoísmo precisam ser superados para que a nossa espécie (e as outras também) possam subsistir no Planeta.

Afinal, o que é mais contagioso, o que é mais perigoso e mais difícil de vencer: um vírus, uma bactéria ou uma ideia na cabeça?*

 

* tradução livre da fala do personagem Dom Cobb, interpretado por Leonardo Di Caprio, no filme “A Origem” (2010)