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A terceirização da santidade

            Tenho um colega que sempre brinca dizendo que quando o seu cardiologista exigiu que fizesse exercícios físicos para melhorar a sua saúde, como não tinha tempo, contratou um estagiário para fazer os exercícios no seu lugar.

            É claro que isto é uma solução ridícula, pois os exercícios feitos pelo estagiário produziriam efeitos no corpo do estagiário e não no corpo de quem o contratou.

            Mas tenho visto alguns cristãos acreditando que ações feitas por outras pessoas vão produzir efeitos de santificação na sua vida e nesta área, às vezes, há muita confusão.

            Jesus nasceu de Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto, sepultado e ressuscitou ao terceiro dia para que nós tivéssemos saúde, dinheiro, emprego, lazer, enfim vida fácil? Não, Ele mesmo disse é melhor perder um braço ou os olhos a ficar fora do Reino de Deus.

            Ele também não disse que para ser filho de Deus e pertencer ao Seu Reino precisaríamos ser doentes, tristes e sem dinheiro.

            Ele fez tudo isso para que pudéssemos ser batizados no Espírito Santo, tornando-nos filhos de Deus, pertencendo ao Reino de Deus num processo continuo de santificação.

            Então, na ordem das prioridades, primeiro é a minha santificação que depende só de mim, do meu esforço, das minhas escolhas, das ações que faço e das que não faço, do perdão e do amor que dou ou que não dou.

            O Padre, o Pastor, os cristãos, os Santos e todos os outros podem interceder por mim para que eu seja atendido nos meus pedidos, mas isto não significa a minha santificação, pode significar a santificação de quem intercede, semelhante ao caso do estagiário.

            Quando peço a intercessão para uma cirurgia que vou realizar, desejando que a cirurgia corra bem e cumpra o seu propósito, a cirurgia pode ser um sucesso, mas isso não me faz mais santo. Pode ser que por causa do acontecido eu me torne mais amoroso e me santifique, mas o resultado da cirurgia não me santifica.

            Quando peço a intercessão para conseguir um emprego, se o consigo não sou mais santo por isso. Não é estar empregado que me santifica e sim as minhas ações como funcionário.

            Vejo na TV muitos testemunhos de pessoas que após participarem de campanhas de arrecadação de dinheiro para o templo ou para Deus, enriqueceram. Mas enriquecer não nos faz mais santo, mas o que fazemos com o dinheiro é que pode nos santificar ou nos expulsar do Reino de Deus.

            Se prestar atenção nos Evangelhos verá que a única preocupação de Jesus era com a santidade das pessoas: libertação, perdão, acolhimento, amizade e amor.

            Não teve Jesus reformando casas de pessoas, distribuindo dinheiro, dando barco, transformando madeira em ouro, pois não era essa a vontade de Deus. As curas das enfermidades sempre tinham o objetivo de levar a santidade.

            A santidade é um trabalho pessoal, progressivo, de transformação interna e exige muito esforço. Ninguém pode fazer por mim, é a minha participação ativa com a graça do Espirito Santo de Deus que me santifica.

Deus fez a sua parte revelando-Se e continua fazendo nos amando, todas as outras necessidades ou não, com o meu esforço, com a ajuda de outros, com sabedoria, com método, com expertise, etc. tenho grande chance de conseguir ou não.