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Equilibração

No início do século XX os brasileiros viviam em média 44 anos. Era o tempo suficiente para crescer, casar e criar os filhos até a vida adulta.

Hoje a nossa média de vida está em 73 anos, segundo dados do IBGE. Estamos vivendo quase uma vida a mais que nossos bisavôs viveram.

Esses anos a mais foram proporcionados pelo desenvolvimento da medicina, através de tecnologias modernas e eficientes, bem como de uma medicação mais eficaz e com menos efeitos colaterais.

Esses anos a mais não foram proporcionados pela mudança de comportamento na busca de uma vida mais saudável, ao contrário, as mudanças comportamentais foram na contramão. Sabemos que a vida cotidiana nos exige demasiadamente, a sociedade atual está estabelecida na insensatez, viver de maneira saudável e prazerosa está quase impossível.

A maioria dos brasileiros está acima do peso. Segundo o relatório Global Tobacco Epidemic 2013, 24% dos brasileiros são fumantes. Segundo o Ministério da Justiça, 12% dos brasileiros são dependentes do álcool.

Segundo a Organização Mundial da Saúde em 2012 o Brasil ficou em quarto lugar em mortes no trânsito. Segundo o Banco Mundial a violência doméstica é a maior causa de ferimentos femininos em todo o mundo e no Brasil 80% dos abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes acontecem na própria casa da vítima.

Segundo pesquisa da Seguradora Líder, administradora do DPVAT, em 2010 no Brasil, 596 pessoas ficaram inválidas por dia devido a acidentes de trânsito cometidos por imprudência ou imperícia.

Temos ainda os diversos tipos de câncer, as alergias, a bulimia, a infertilidade, as doenças cardiovasculares, a diabete, a hipertensão e outros.

Não podemos esquecer os transtornos de comportamento, a depressão, as tensões cotidianas, a agressividade, as manias compulsivas, a ansiedade, a insônia, a impaciência, a baixa tolerância à frustração e outros.

Tudo o que foi mencionado acima são malefícios que provocamos por comportamentos e atitudes inadequados, isto é, quando o nosso cérebro se volta contra nós porque não agimos conforme deveríamos.

O corpo humano é a máquina mais avançada e perfeita que conhecemos, porém como explicou com extrema simplicidade Santo Agostinho: “somos pardais com coração de águia”. Isto nos leva a viver em constantes conflitos e insatisfações, por isso, conseguir o pleno bem estar social, apontado como definição de saúde pela Organização Mundial da Saúde, é utopia.

Nunca estaremos em constante harmonia e equilíbrio, pois viver em sociedade é conter impulsos em troca de segurança (Sigmund Freud), mas também não podemos viver em constante desarmonia e desequilíbrio.

O desequilíbrio prolongado causado por emoções, pensamentos e comportamentos inadequados, descontrola a produção dos hormônios que controlam as funções do nosso organismo tendo como conseqüência as doenças psicossomáticas, algumas já enumeradas acima.

O desequilíbrio prolongado causado por emoções e pensamentos inadequados provoca comportamentos que nos destroem como os enumerados acima.

Se não conseguimos estar em constante equilíbrio e não podemos viver em desequilíbrio o que podemos é estar em equilibração.

Equilibração é a atitude constante de se reequilibrar cada vez que você perde o equilíbrio. A prática leva você a se reequilibrar cada vez mais rápido. Isto exige conhecimento de si, dos outros e do contexto em que se vive.

Para manter essa atitude de sempre se reequilibrar precisamos de pessoas que nos ajudem a cuidar da nossa cabeça como os amigos, as pessoas que nos amam, os psicólogos e acima de tudo ter uma fé bem fundamentada.