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Diácono Ricardo Isaac

Doutor em Engenharia Civil e Professor da UNICAMP. Casado com Rita Isaac e pai de três filhas, Letícia, Amanda e Raquel. Diácono Permanente da Diocese de Limeira. Co-Fundador e Diretor da Rádio Magnificat FM.

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Tá indo pra onde? parte 1: a meta

Tá indo pra onde? parte 1: a meta

Você já teve a experiência de programar uma viagem por bastante tempo, criar toda uma expectativa, fazer os preparativos e depois, no meio do caminho ou mesmo ao chegar lá, ter uma sensação de vazio, de que não era bem aquilo que você tinha sonhado ou imaginado? De que talvez o itinerário ou o lugar escolhido devesse ter sido outro? De que a viagem ficou cara e não preencheu as suas expectativas ou de outras pessoas que levou junto com você?   No Evangelho vemos Jesus sempre a caminho de Jerusalém. Ele passa por várias aldeias, vilas e cidades. Ele se hospeda na casa de amigos, especial-mente dos pobres, dos mais simples. Ele valoriza cada lugar e cada pessoa ou grupo de pessoas com quem vai se relacionando, interagindo. Ele vai chegando da periferia, mas não perde de vista que Jerusalém é o centro, o coração da sua missão. Lá ele dará a vida pelos seus amigos. Na cidade santa ele, seguido de seus discípulos e discípulas, entra triunfal sob a aclamação do povo como sendo o Messias, o filho de DaviEm Jerusalém por si mesmo se apresenta para fazer a sua Páscoa: a passagem pela paixão, morte e ressurreição. Ele atinge plenamente a sua meta.     Jesus sabe exatamente quem é e qual a sua missão neste mundo. De onde vem e para onde vai, com quem vai, como vai e pra fazer o quê.   E você, pra onde vai? Pensando na sua vida toda como uma grande viagem, uma grande aventura, agora, nesse exato momento, onde você está, onde se situa? E pra onde você está indo? Você tem uma meta? Sabe o lugar aonde quer chegar, ou melhor, aonde precisa chegar? E chegando lá, vai fazer o quê? Pense nisso. Se estiver se sentindo meio perdido, saiba que não é o único. Mas é importante que pare pra refletir. Revisar essa sua história desde o início, perceber o itinerário, pode ajudar você a se re(encontrar). De repente, você andou pegando algum atalho, mas descobriu que nem sempre o caminho mais curto é o correto. Ou, em alguma bifurcação ou encruzilhada da vida escolheu a direção errada, aquela que não deu muito certo e precisa voltar lá atrás e recomeçar do ponto onde se desviou.   Para pensar nisso, que tal fazer uma leitura orante de uma passagem da Sagrada Escritura? Sugiro Lc 19, 29-40 ou Mc 11, 1-11   Faça a experiência e me conte como foi. diacono.ricardoisaac@gmail.com   Deus ilumine o seu caminho!
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Tá indo pra onde? parte 2: as pessoas

Tá indo pra onde? parte 2: as pessoas

Na nossa primeira conversa aqui mesmo sobre esse assunto, isto é, de se ver a vida como uma viagem, falamos do valor de se ter uma meta, um itinerário, saber de onde se vem e aonde se quer ou se deve chegar.   Importante é perceber que não se viaja sozinho. Convidam-se outras pessoas, atraem-se outras pessoas, cativam-se outras pessoas. Quer sabe como? Um sorriso, um olhar profundo, uma conversa boa, bons exemplos, momentos especiais, empatia, graça de Deus. Pessoas acabam embarcando nessa jornada e indo junto; são influenciadas e criam também suas expectativas. É preciso prestar atenção em todas elas. Ou melhor, em cada uma delas. Para não correr o risco de chegar lá sozinho ou, pior ainda, nem chegar.   Das narrativas sobre a vida de Jesus na Sagrada Escritura, especialmente de sua vida pública, é notável como ele se relaciona com muitas pessoas. Na sua infância, sua mãe Maria, seu pai José, seus parentes. Na vida pública, Pedro, Tiago e João, três amigos escolhidos para momentos únicos e especiais. O grupo dos doze, com quem convive como Mestre em tempo integral. O discípulo amado. As piedosas mulheres. João, que costuma reclinar a cabeça em seu peito. Maria Magdalena, sobre quem lança em um dia especial aquele olhar profundo e cheio de misericórdia que mudou sua vida. Marta e Maria e Lázaro, em cuja casa simples de Betânia ele se hospeda tantas vezes e descansa a caminho de Jerusalém. Os pobres, os doentes, pecadores e pecadoras à beira do caminho. Pessoas encontradas à margem da estrada e que ele recoloca no caminho da vida, da esperança, do amor, da fraternidade.     Mãos, pés, boca, coração! Jesus sempre tem as mãos estendidas para amparar e curar os doentes. Os pés prontos para caminhar em direção àqueles que dele precisam. A boca aberta para proferir palavra de sabedoria, de bênção, de salvação. O coração aberto para acolher e amar. Ele nunca despreza ou menospreza alguém. Pelo contrário, valoriza aqueles que caminham com ele e não se decepciona, pois conhece muito bem os que escolheu. Chama cada um pelo nome. Isso é intimidade. É amizade. É amor fraterno. Ah, esse Jesus...tão humano, tão divino!   E você, com quem caminha? Pensando na sua vida toda como uma grande viagem, uma grande aventura, agora, nesse exato momento, no ponto onde você está, quem caminha com você? E quem ficou pra trás, na poeira da estrada? “Cativar é criar laços”. Você acha que do jeito que você anda, que as coisas andam, vai chegar lá acompanhado ou sozinho? Se estiver se sentindo meio solitário, saiba que não é o único. De repente, você achou que poderia não precisar dessa ou daquela pessoa. E agora sente falta dela.  Mas é importante que pare pra refletir. Revisar sua trajetória desde o início, perceber a presença e o valor das pessoas na sua vida, na sua história, orar a Deus por elas, pode ajudar você a re(aquecer) o coração e a alma.   Para pensar nisso, que tal fazer a leitura orante de uma passagem da Sagrada Escritura? Sugiro Jo 17, 6-26   Faça a experiência e, se quiser, partilhe comigo como foi. diacono.ricardoisaac@gmail.com   Deus aqueça o seu coração!
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Tá indo pra onde? parte 3: o caminho

Tá indo pra onde? parte 3: o caminho

Da última vez que tratamos desse assunto, isto é, a viagem da nossa vida, que tem uma origem, um caminho (ou vários) e um único destino, refletimos um pouco sobre as pessoas que viajam junto. Amigos da infância e juventude, pai, mãe, irmãos de sangue e irmãos de fé. Não podemos destratar ou descartar as pessoas. Para não se chegar sozinho. Então, de que modo chegar lá? Isso diz respeito a construir relacionamentos. Bons relacionamentos. Ajudar pessoas para ajudar a crescer e crescer com elas. Compartilhar. Na maioria das vezes, o caminho é tão importante quanto o local de chegada. Vamos olhar para Jesus, O caminho.   Um dos princípios que mais admiro em Jesus é o da comensalidade. Sentar-se junto à mesa para tomar a refeição. Ali conversar, contar e ouvir histórias, sorrir e sonhar juntos. Não tem momento mais sagrado do que este. Tanto que Jesus institui a eucaristia, a santa ceia, ele se dá a si mesmo como alimento num contexto de refeição em comum. Para que esses momentos ocorram é preciso a prática da hospitalidade. Quando se recebe uma pessoa na sala de visitas é porque ela é mesmo uma visita, gente de pouca intimidade conosco. Quem é da casa, a gente recebe mesmo é logo na cozinha. Ali é lugar pra gente com quem se tem intimidade. Abrir a geladeira é como abrir o coração. Assim Jesus constrói relacionamentos profundos, sólidos, de amizade, de intimidade e comunhão. De amor ágape, amor hesed. Jesus olha nos olhos e vê o coração. Jesus conta parábolas o que não significa que ele fala de futilidades, que ele é alienado. Muito pelo contrário. Com suas parábolas fala diretamente das coisas da vida. E no meio das coisas da vida fala das coisas do reino, das coisas do alto. Atrai um grupo de pessoas, que se torna com ele uma só família, uma comunidade. Pessoas que entram na vida dele e ele na delas para ficar. Pra sempre.   Para ouvir uma pessoa e preciso gastar tempo com ela. Ou melhor, investir tempo com ela. Falar e ouvir. Ouvir mais do que falar. Rir e chorar. Fundir os corações, as almas, numa única história de amor. Gosto muito daquela canção:   “Cada um de nós tem uma história, e de repente aqui estamos nós cada um por um caminho veio, e hoje estamos todos juntos, guiados pelo Espírito de Deus”.   Nesses meus cinquenta anos tenho encontrado alegria em poder compartilhar experiências vividas, sucessos e fracassos, erros e acertos, com outros irmãos e irmãs queridos. Deles também tenho acolhido tantas coisas boas, ouvido histórias, sonhos e fantasias, dúvidas, conquistas, frustrações. Aprendi muito com eles. E, muito mais ainda, aprendi com Jesus, o Divino Mestre. Na maioria das vezes, essas conversas ou partilhas, verdadeiras trocas de experiência, aconteceram à mesa.   Como você tem vivido a hospitalidade? A acolhida? A comensalidade? A vida familiar e comunitária? A fraternidade? A vida eucarística? Já teve que comer sozinho uma refeição, porque o amigo não veio? Porque a pessoa amada se afastou? Já se preocupou mais com o cardápio do que com os convidados?   Para pensar nisso, que tal fazer a leitura orante de uma passagem da Sagrada Escritura? Sugiro Jo 12, 1-8.   Faça a experiência e, se gostar, compartilhe comigo como foi. diacono.ricardoisaac@gmail.com   Deus ilumine o seu momento!  
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Tá indo pra onde? parte 4: o tempo e a eternidade

Tá indo pra onde? parte 4: o tempo e a eternidade

“Jesus sabe exatamente quem é e qual a sua missão neste mundo. De onde vem e para onde vai, com quem vai, como vai e pra fazer o quê.”   Olá de novo! Obrigado a você que chegou até aqui, passando pelas outras três partes dessa breve reflexão sobre ver a vida como uma grande viagem: a importância de se saber aonde chegar, com quem e como caminhar. Quando se vai viajar é importante, além de traçar um itinerário, fazer um cronograma. Planejar. Ainda mais se a viagem é de longa distância e demorada. E passando por lugares em que nunca se esteve antes. Vivenciando situações inusitadas. Então, por último, quero falar com você sobre o tempo e a concretização dos nossos objetivos de vida. Olhando mais uma vez para o Evangelho, percebemos que Jesus tem como meta Jerusalém. Não só o lugar físico, geográfico, mas principalmente tudo o que ela significa. A cidade santa simboliza a aliança entre Deus e o povo eleito, o lugar sagrado, do culto, da presença de Deus. Era uma referência para toda a nação. Era um projeto que se tinha em comum, que mantinha a identidade do povo da aliança. Depois de décadas de exílio, o templo foi finalmente reconstruído e a cidade tornou-se o centro econômico, político e religioso. Ainda no exílio o povo suspirava: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que minha mão direita se paralise! Que minha língua se me apegue ao paladar, se eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias” (Salmo 136, 5-6). Aqui entra a importância do sonho: a utopia, ainda que pareça algo inatingível, inacessível, nos faz andar e mais, tem a função de nortear a nossa caminhada. Como foi dito, Jesus também anseia por atingir a sua meta, a cidade santa: tanto a Jerusalém terrestre, onde irá comer a Páscoa com seus discípulos, oferecendo-se a si mesmo como cordeiro imolado; quanto a Jerusalém celeste, onde será o nosso alimento por toda a eternidade. Mas para isso, ele vive o “só por hoje”, vive o momento presente, dando a ele ares de eternidade. Sendo eterno, ele entra no tempo para nos levar à eternidade de Deus. De fato, ele vai eternizando cada momento de sua vida com os gestos, as palavras, o amor. O ideal do Reino de Deus, Jesus planta no coração das pessoas, discípulos e discípulas que ele ama, compartilhando o tempo e a própria vida. O sonho sonhado sozinho é apenas sonho, fantasia, ilusão que se desvanece. O sonho sonhado junto se torna ideal, objetivo que vai se concretizando no tempo, rumo à eternidade. Assim, para terminar, meu irmão de fé e de caminhada, quero falar da esperança. Ela é diferente de uma simples expectativa. Nossas expectativas são breves e limitadas. Elas se frustram, se perdem no pó da estrada. Algumas acontecem, outras não. Nossa esperança no Reino, ao contrário, se estende pela fé rumo à eternidade. Um conselho: é melhor caminhar devagar, na direção certa, do que rápido, na direção errada. Quanto mais rápido se anda, neste caso, mais se afasta do alvo, da meta. É melhor andar devagar, na direção certa. O tempo que temos é o tempo da nossa vida, traduzido no hoje da nossa existência sobre a terra. Hoje é o dia da salvação, o dia favorável. Você tem andando desanimado? Frustrado com alguma coisa em sua família, empresa, comunidade? Com a própria sociedade e a humanidade? Talvez você tenha se frustrado até mesmo com Deus. Por ter projetado expectativas que não aconteceram quando e como você queria. Mas, tenho certeza disso, se parar para orar e refletir irá perceber que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. E que a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em sua vida, em nossa vida, pelo Espírito Santo que sempre nos conduz à plenitude, para frente e para cima, no tempo, rumo à eternidade. Para pensar nas coisas da vida, separando expectativas puramente terrenas daquela esperança que temos em Deus, proponho uma última leitura orante da Sagrada Escritura: o Capítulo 11 (inteiro) do Evangelho segundo São João. Partilhe a sua experiência, de seguidor do Caminho! diacono.ricardoisaac@gmail.com
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2017 de Boeing 777

2017 de Boeing 777

Estamos ainda no início de 2017. Podemos imaginar o Ano Novo como uma caminhada de 365 passos ou uma viagem de carro de 365 km. Todos levamos no bagageiro do coração muitas expectativas, bons propósitos, anseios. Projetos a serem realizados neste tempo, para alcançar metas que nós colocamos. Mas assim como existe o tempo cronológico (krónos) e o tempo favorável da graça (kairós), podemos e devemos estabelecer metas espirituais e não apenas temporais ou materiais. Mais do que expectativas com data marcada, devemos ter esperança, buscar as coisas do alto. No ano de 1998 fiz uma viagem de 10 dias a trabalho para o Havaí, deixando a Rita e as crianças sozinhas em Londres. Na volta, no aeroporto de San Francisco, nos Estados Unidos, me bateu uma angústia muito grande, um mau pressentimento quanto ao vôo, medo de morrer mesmo. Telefonei pra ela e pedi que orasse muito a Deus para que tudo corresse bem na viagem e eu chegasse em segurança. Quando embarquei na aeronave, fique bem mais tranquilo. Um Boeing 777 novinho em folha, com cheiro de novo, as poltronas ainda no plástico! Falei para um senhor que estava na poltrona vizinha: “que maravilha, tudo novinho em folha!com certeza, garantia de um vôo seguro…” Ele respondeu, sem entusiasmo algum: “isso não é nada bom! avião bom é aquele que já voou pelo menos 300 mil milhas, porque assim passou pela prova do uso…” Verdade! Por que eu não tinha pensado nisso? Voltei a ficar nervoso. Após a decolagem, atingida aquela altitude de cruzeiro, começaram a servir o jantar. Tudo parecia ir muito bem, até entrarmos numa zona de turbulência muito forte. As comissárias de bordo tiveram que recolher como podiam os carrinhos com a comida, chacoalhava tudo, as portas dos bagageiros se abriam e o pavor era geral. Lembrei dos meus maus pressentimentos mas, sem perder a fé e mantendo a esperança, me apoiei nas orações feitas lá em casa por mim. Claro, você já imaginou que se estou vivo é porque essa história teve final feliz. Passada a turbulência, tudo se normalizou e o restante da viagem transcorreu muito bem até eu reencontrar minha família no Aeroporto de Heathrow. Graças ao bom Deus! O porquê de eu estar compartilhando com você essa passagem aqui? Para fazer uma comparacão com o Ano Novo, essa viagem que já começou. Talvez a sua auto-confiança esteja alta, apoiada nas próprias forças, como que na tecnologia de um avião novinho, um Boeing 777. Pode ser que os primeiros dias, os primeiros quilômetros estejam tranquilos. Mas se e quando vier a provação, é muito importante que você tenha se alimentado de esperança. Esperança em Deus! Na providência e na protecão divina. Talvez a turbulência do desemprego, da enfermidade, das perdas tenha já se abatido de surpresa sobre você. Não se amedronte! “Ainda se vier, noites traiçoeiras, Cristo estará  contigo…” Para chegar seguro no dia 31 de dezembro atingindo a meta de ter vivido intensamente 2017! Uma ótima viagem pra você! p.s. o mesmo princípio vale para a Rádio Magnificat: estamos assentados na tecnologia da comunicação digital, mas voamos mesmo, isso sim, apoiados nas asas do Espírto de Deus…
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lectio divina

lectio divina

Graças a Deus todos nós temos o enorme privilégio de ter, em casa, uma edição da Bíblia Sagrada no vernáculo, isto é, para nós, brasileiros, na Língua Portuguesa. Uma das formas de se achegar ao texto sagrado é pela leitura piedosa. A leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada pela oração, a fim de se estabeleça o colóquio entre Deus e o homem: pois “a Ele falamos quando rezamos; a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (Santo Ambrósio). Um método tradicional para isso e que tem se tornado cada vez mais popular é o da Lectio Divina. A expressão Lectio Divina vem do latim e tem como significado “leitura divina”, “leitura espiritual” ou ainda “leitura orante” da Bíblia. São quatro passos ou momentos consecutivos: em latim, lectio, meditatio, oratio e contemplatio ou, leitura, meditação, oração e contemplação. Escolha um local adequado para o seu encontro a sós com Deus, o quarto, o jardim, a capela. Selecione um texto sagrado sobre o qual irá se desenvolver a sua oração, o seu encontro com Deus. Recomenda-se que, nos primeiros exercícios, se utilize alguma passagem do Evangelho. Coloque-se em posição corporal confortável e que favoreça a leitura e a oração. Permaneça na presença de Deus. Siga os quatro passos: 1º Passo - LEITURA: "O que o texto diz em si mesmo?" Conhecer, situar o texto. Leitura lenta e atenta; reler, repetir, recordar de memória, relembrar em voz alta; ver o que o texto diz perceber os verbos, as palavras chaves, as ideias centrais; averiguar a geografia, o contexto, as circunstâncias, as passagens do texto, os personagens com suas atitudes, seus gestos; ler com atenção, respeito, amizade, interesse, dedicação como se faz num encontro com amigo; ler não é estudar, discutir, pesquisar, nem aumentar conhecimentos e teorias. É escolher, escutar, interiorizar a Palavra. 2º Passo - MEDITAÇÃO: "O que o texto me diz hoje?" Meditar é guardar no coração e deixar-se amar; meditar é aplicar o texto na própria vida e realidade; ver o que a Palavra diz para mim; procurar atualizar a Palavra hoje; perceber as inspirações, os apelos, os afetos, as revelações, as iluminações do texto lido; interiorizar a mensagem; acolher outros significados do texto; aplicar na realidade pessoal, comunitária, social; deixar-se afetar pela Palavra; acolher o toque da graça. 3º Passo- ORAÇÃO: “O que o texto me faz dizer a Deus?" É expressar os sentimentos de perdão, louvor, intercessão, súplicas. Abrir o coração, se deixar envolver pela presença de Deus, acolhendo a realidade e os apelos dos irmãos; fazer atos de perdão e reconciliação, rezar salmos, hinos relacionados ao texto meditado. É o momento da resposta, do diálogo, do encontro mais pessoal, do relacionamento com Deus. 4º Passo – CONTEMPLAÇÃO: "O que o texto me leva a viver?" É saborear, degustar, deixar-se envolver pela Palavra. É silenciar, estar quieto, em descanso sob o olhar amoroso de Deus. Sentir-se tocado, envolvido, amado, aceito, acolhido, perdoado, pacificado; Permanecer na presença, em receptividade, na atenção amorosa, nos braços do Pai; dar espaço para Deus, para o irmão e para a realidade da vida, afetivamente. Toda contemplação é para ser comunicada e vivida, em vista da transformação pessoal, comunitária e social. A contemplação leva a viver a própria Palavra.   Proponho que você inicie ou reinicie esta prática em sua vida de oração pessoal. Escolha o melhor horário e local, em que você não vai ser perturbado ou interrompido. Determine o tempo (por exemplo, 15 minutos, 30 minutos). Escolha o texto bíblico (se precisar de uma ideia, eu posso sugerir Lc 18, 18-30).   Então, boa experiência com Deus: “provai e vede como o Senhor é bom” (Sl 33, 9).
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Das origens da RCC em Limeira

Das origens da RCC em Limeira

As origens da Renovação Carismática Católica (RCC) na Igreja Particular de Limeira remontam à nossa república de estudantes do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Éramos três jovens estudantes oriundos de Ribeirão Preto que nos conhecemos em Campinas durante o ciclo básico (1980-81): Carlos Eduardo Lopes, Carlos Alberto Firmino e Ricardo de Lima Isaac. No ano de 1981, começamos a frequentar nos finais de semana e férias o Grupo de Oração Nova Geração, na Paróquia São Antônio, nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto. De fato, não éramos jovens de Igreja, mas a partir daquele encontro pessoal com Jesus tudo mudou. Participamos também das experiências de oração e retiros de aprofundamento no seminário de Brodówski. Grupo e retiros sempre maravilhosos, extraordinários, muito carismáticos, em que fomos experimentando o amor de Deus, a misericórdia de Jesus, a cura e a libertação, a evangelização, o batismo no Espírito Santo, os dons carismáticos, a vida de Igreja. No início de 1982, montamos a nossa república no Jardim Piratininga, Paróquia de Santa Rita de Cássia, em Limeira, para os três últimos anos do nosso curso cujas aulas eram ministradas nesta cidade. Nós três já tínhamos então iniciado uma vida intensa de oração pessoal e comunitária, no Grupo de Oração que fazíamos entre nós, na meditação e partilha da Palavra, na oração do Santo Terço e a participação diária na Santa Missa, com Pe. Synval Francioso. Então, sem planejamento algum da nossa parte, em meados de 1982 alguns jovens do bairro começaram a frequentar a república e a participar conosco da espiritualidade, sendo a Rita de Cássia Souza, com 14 anos, a “primeira discípula” da cidade. Um verdadeiro avivamento começou. Da sala da república, que logo encheu, fomos para a casa da Dona Jandyra Lopes, dona da padaria do bairro, que recebia semanalmente cerca de 50 pessoas para o nosso Grupo de Oração. A evangelização nas casas era feita a convite das pessoas, louvor, pregação, oração, testemunhos. Muitas graças começaram a acontecer, muito além da nossa “capacidade”. Famílias renovadas, reconciliadas, pessoas voltando pra Igreja, para os Sacramentos. Grandes conversões de adultos, jovens sendo libertados das drogas, dos vícios, cura física de enfermos pela oração. Tudo muito rápido e intenso. Então, no início de 1983, elas mesmas tiveram a iniciativa de falar com o pároco, que autorizou o Grupo de Oração em uma sala de catequese da Santa Rita. Da sala, depois de três ou quatro semanas, tivemos que passar para a Igreja, que também ficava lotada para o seu tamanho, com cerca de 300 participantes. Olhando para trás, hoje percebemos que vivenciamos uma experiência de Pentecostes suscitada pelo próprio Espírito em seus desígnios. Uma república que se tornou um verdadeiro cenáculo com Maria, uma república renovada! Assim, tendo em vista nossa idade e o contexto universitário, nos identificamos bastante quando soubemos, posteriormente, da origem da Renovação Carismática naquele retiro na Universidade de Duquesne, em Pittsburgh, Estados Unidos. No início de 1983, nas primeiras reuniões, vieram a Regina Costa e a Eliete Bonin, que se tornariam no ano seguinte coordenadoras de grupos de oração, que foram se formando na cidade (Santa Terezinha e Bom Jesus, respectivamente). Também o Narciso e a Lurdinha, que depois se mudaram para Americana. Já tínhamos estabelecido uma ponte terrestre entre Limeira e Brodówski, para onde levávamos as pessoas para fazerem experiência de oração e aprofundamentos, além dos cenáculos com Pe. Eduardo Dougherty e outras lideranças da RCC em Campinas e São Paulo. Fomos sendo formados e formando ao mesmo tempo outras pessoas, na dinâmica discípulos-missionários, aprendendo a fazer fazendo com Jesus e com os irmãos e irmãs. Bendito seja Deus pelas primeiras lideranças da RCC no Brasil, padres e leigos! Naquela época a Diocese de Limeira estava vacante e havia grande pressão do Administrador sobre o pároco, contra o Grupo de Oração. Exatamente na semana em que o pároco enfim pediu que se suspendessem as reuniões do Grupo até que novo Bispo fosse nomeado, já tínhamos lotado um ônibus para ir ao Cenáculo em São Paulo. Entre os participantes, os líderes da Comunidade Bom Jesus, da Paróquia de São Benedito, de Limeira, sendo pároco o Pe. Gustavo Mantovani. Um ônibus avivado e, na semana seguinte, o nosso Grupo de Oração tinha migrado para aquela pequena comunidade, vindo posteriormente a se tornar o maior Grupo de Oração na Diocese de Limeira. Outros Grupos de Oração também estavam surgindo e se multiplicando em outras cidades da Diocese. Começamos a nos encontrar com outras lideranças da RCC de Araras (Douglas Rocha, Luis Maldotti), Pirassununga (Dona Rita, Magali), Leme (Neusa), Americana (Narciso, Sr. Jorge), Nova Odessa (Wilson) e, muito rapidamente, foram acontecendo reuniões, dias de louvor, retiros, seminários de vida no Espírito. Organizamos entre nós uma equipe diocesana, precursora da Comissão Diocesana da RCC. Quando o Pe. Jonas Abib foi convidado para vir pregar um aprofundamento na Diocese, já éramos cerca de 50 grupos de Oração desde Pirassununga e Porto Ferreira até Americana e Nova Odessa. A carta-convite que levamos para Cachoeira Paulista continha a assinatura de 17 padres da Diocese. Fomos 450 participantes, no seminário de Nova Veneza. A propósito, muitas vocações sacerdotais, religiosas e de leigos consagrados tiveram seu despertar nos grupos de oração bem como nos encontros e retiros da RCC. A Diocese de Limeira celebrou em 2016 os 40 anos de sua instalação e, para a maior glória de Deus, os Grupos de Oração da RCC com o seu testemunho de comunhão eclesial e serviço à nova evangelização têm contribuído para a edificação da Igreja de Cristo, com os Bispos que se sucederam desde aquele começo: Dom Fernando Legal, Dom Ercílio Turco, Dom Augusto Zinni Filho e Dom Vilson Dias de Oliveira. A RCC celebra neste exato fim de semana, de 17 a 19 de fevereiro, o seu Jubileu de Ouro, ou seja, os 50 anos de sua origem, tendo como marco aquele retiro na Universidade de Duquesne. Parabéns RCC! Parabéns Grupos de Oração! Parabéns Coordenação e Equipes de Serviço! Por semear a cultura de Pentecostes ainda hoje!
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Sobre muros e pontes

Sobre muros e pontes

Atravessamos um tempo em que uma vez mais se erguem muros (até de concreto!) que refletem inimizades culturais, econômicas, comerciais, políticas, militares ou religiosas entre pessoas, povos ou países “civilizados”. Chegam até nós manchetes, notícias e imagens de barcos naufragados, de milhares de mortos e de sobreviventes refugiados, porém não acolhidos. De vistos negados, de estrangeiros expulsos. Assim fica evidente para nós essa condição entre europeus e sírios, palestinos e judeus, norte-americanos e mexicanos, norte-americanos e muçulmanos. E quanto a mim? E a você? “Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, abolindo na própria carne a lei, os preceitos e as prescrições. Desse modo, ele queria fazer em si mesmo dos dois povos uma única humanidade nova pelo restabelecimento da paz, e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade.” [Ef 2, 14-16] Quem são seus verdadeiros inimigos? Parentes inimigos? Inimigos parentes? Inimigos íntimos? Inimigos ricos, inimigos pobres? Tem inimizades que atravessaram décadas? Inimigos para sempre? Que resistiram ao desejo de superação, de reconciliação e à força da misericórdia? Que foram se revestindo de interesses pessoais irreconciliáveis e excludentes? Inimigos estrangeiros? Inimigos políticos, comerciais, religiosos? Com grande diferença de idade? De outra geração, de outra época? Menos provável. Maior diversidade cultural, maior distância física ou emocional, menor chance de criar e cultivar uma inimizade. Ou não. Mas, afinal, quantos inimigos você tem? Quem são eles? Elas? Um “milhão” de inimigos? Dois ou três? Apenas um único? Uma única? Que de modo algum compreende você, incapaz de ver o seu lado? E você, acredita fazer parte da lista de inimigos de alguma outra pessoa? Já foi rejeitado ou excluído de algum círculo de amizades virtuais ou no mundo real? “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” [Jo 15, 13)] Quem são seus verdadeiros amigos? Parentes amigos? Amigos parentes? Amigos íntimos? Amigos ricos, amigos pobres? Tem amizades que atravessaram décadas? Amigos para sempre? Que resistiram à prova do tempo, ou melhor, às provas do tempo? Que foram se despindo de interesses secundários para se firmar apenas nas próprias pessoas? Amigos estrangeiros? Que professam uma fé diferente da sua? Com grande diferença de idade? De outra geração, de outra época? Menos provável. Menor afinidade cultural, menor chance de amizade. Ou não. Mas, afinal, quantos amigos você tem? Quem são eles? Elas? Um “milhão” de amigos? Dois ou três? Apenas um único? Uma única? Que lê pensamentos, ou melhor, que lê sentimentos e ajuda a mudá-los? E você, acredita fazer parte da lista de amigos de alguma outra pessoa? Não apenas da lista de amigos virtuais em redes sociais, mas de amigos presenciais, claro. “Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” [Mt 5, 43-48] Jesus, o Senhor da vida, não só transformou servos em amigos, mas foi além. Deu a vida não apenas por seus parentes e amigos, mas pode transformar inimigos em amigos pela força do seu amor de cruz. De fato, ele deu a vida quando ainda éramos inimigos de Deus! Você tem amigos que, de repente, viraram inimigos? E inimigos que, após um longo tempo, viraram amigos? Bom, além dos amigos e inimigos, existem os estranhos. Aquelas pessoas que você ainda não teve oportunidade de conhecer e classificar, acolher ou afastar. Fiquemos com a exortação do Papa Francisco feita por ocasião dos 25 anos da queda do emblemático Muro de Berlim: “Rezemos a fim de que, com a ajuda do Senhor e a colaboração de todos os homens de boa vontade, se difunda sempre mais uma cultura do encontro, capaz de derrubar todos os muros que ainda dividem o mundo, e não mais aconteça que pessoas inocentes sejam perseguida e até mesmo mortas por causa de seu credo e de sua religião. Onde há um muro, há fechamento de coração! Precisamos de pontes, não de muros!”
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Ouviu falar do Darwin?

Ouviu falar do Darwin?

Você sabia que Darwin, o famoso naturalista britânico do século XIX ao viajar ao redor do mundo a bordo de um veleiro, o HMS Beagle, pisou em praias brasileiras, colocando seus pés na Bahia e no Rio de Janeiro? De suas observações criteriosas nessas viagens exploratórias e de suas reflexões, elaborou, redigiu e publicou “A Origem das Espécies”. Sua teoria provocou alvoroço, com discussões acaloradas dentro e fora da academia entre criacionistas e evolucionistas. Para muitos daquela época (e de hoje) o poder de Deus, o poder da religião, das suas crenças e dogmas no Deus-Criador estavam sendo atacados, “ameaçados”. Como se Ciência e Religião fossem antagônicos e excludentes. Semana passada no Brasil, outro Darwin, não sir Charles, mas um cão-guia de mesmo nome ocupou as manchetes dos noticiários da internet, por ter pisado também em areias praianas brasileiras, desta vez mais ao sul, em Santa Catarina, em Balneário Camboriú. O cão adestrado provocou protestos de alguns banhistas que não queriam admitir cachorros ali e, assim, acionaram a PM. Os policiais, desconhecedores da lei que autoriza cães-guia em qualquer ambiente público – mesmo naqueles em que outros da mesma espécie são proibidos – ameaçaram de prisão a sua dona, Olga, cega de nascença. Após a intervenção do comandante da PM catarinense, a situação foi contornada, apesar do constrangimento infligido à mulher (e ao grande Darwin). Contudo, as opiniões ficaram divididas na internet e redes sociais, sendo muitas delas contrárias a tal lei e à perigosa presença do nobre animal naquele local, sob alegação de que certamente transmitiria por suas bactérias e vírus alguma doença contagiosa para os seres humanos. Na mesma semana em que Darwin pisava na praia, era lançada em todo o território nacional a Campanha da Fraternidade 2017 (ouça o Hino) proposta pela CNBB. Esta traz para reflexão das comunidades e para a sociedade em geral o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” com o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15). Os subsídios para reflexão e ação (ver-julgar-agir) tem base no conhecimento científico e no conhecimento bíblico-teológico que convergem para uma ideia comum: contemplemos e guardemos a Natureza, o Planeta, a mãe Terra, a criação de Deus, a Casa-Comum, da qual não somos senhores nem apenas simples usuários, mas guardiões. Respeito e relação harmônica com os outros seres – humanos ou não – é algo nobre e essencial que devemos assimilar e praticar. Intolerância, discriminação, abuso de poder, autoritarismo, materialismo, consumismo, individualismo, capitalismo selvagem e outros “ismos” que rimam com egoísmo precisam ser superados para que a nossa espécie (e as outras também) possam subsistir no Planeta. Afinal, o que é mais contagioso, o que é mais perigoso e mais difícil de vencer: um vírus, uma bactéria ou uma ideia na cabeça?*   * tradução livre da fala do personagem Dom Cobb, interpretado por Leonardo Di Caprio, no filme “A Origem” (2010)
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Eu ou nós?

Eu ou nós?

Afinal, a salvação é individual ou comunitária? A conversão necessária para a manifestação do Reino de Deus é pessoal ou social? “Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! (Mt 27, 42ª) Ao longo dos meus estudos no ginásio, no colegial e na faculdade muitos trabalhos acadêmicos foram propostos (impostos?) pelos professores para a classe desenvolver em grupos de alunos. Assim, nos reuníamos no outro período livre na casa de algum de nós ou na biblioteca municipal em Ribeirão Preto para ler, discutir e redigir os textos. Havia divisão do trabalho e a presença de todos era obrigatória. Eventualmente, por algum motivo justo, o nome de algum colega era incluído no trabalho mesmo no seu impedimento em colaborar. Então, tínhamos um misto de esforço individual e de trabalho de equipe para alcançar o objetivo de aprender, tirar nota, ser aprovado. E nos alegrávamos com as boas notas tiradas pelos outros para as quais, de alguma maneira, tínhamos parte. Estudávamos juntos para as provas e era comum, sempre que possível e “necessário”, até mesmo ajudar algum colega com alguma “cola” durante a realização das mesmas. Digo sempre para os meus alunos da UNICAMP que no mundo corporativo moderno o perfil do profissional desejado é de quem, por um lado, tem qualificação e competência para desempenhar uma determinada função e, de outro, comprometimento e capacidade de trabalhar em equipe, de colaborar com o grupo. Ninguém vai carregar outra pessoa nas costas se ela for relapsa. Mas o individualismo também não é visto com bons olhos. A produtividade geral cai sob o modelo do “cada um pra si e Deus pra todos”. É mais valorizado o “um por todos e todos por um”. Dentre aquelas profissões muito inspiradoras desse valor, isto é, de se pensar no bem comum, no bem dos outros, estão bombeiros, socorristas, enfermeiros, guarda-vidas, professores e outros. Na vida de fé, na vida cristã, por analogia, na busca da “salvação”, penso que deve haver uma combinação entre o esforço pessoal e o esforço comunitário. Se eu coloco o meu empenho de conversão e salvação pessoal numa perspectiva individualista, posso acabar me perdendo. Se eu penso e me comprometo com a conversão e salvação comunitária, coletiva, posso justamente aí encontrar a minha salvação, pela superação do egoísmo e pelo exercício da caridade e da solidariedade. “Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos (...) Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; e se um membro é tratado com carinho, todos os outros se congratulam por ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.” I Cor 12, 14.26-27) É Tempo de Quaresma, busquemos a conversão pela prática das obras de misericórdia, corporais e espirituais!
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Epitáfio

Epitáfio

Já parou pra pensar na frase que você gostaria estivesse escrita sobre o seu túmulo, isto é, o seu epitáfio? Provavelmente algo que expressasse de uma maneira positiva a sua vida, a sua pessoa, de como você se enxerga.  Bom, o fato que é que geralmente a frase, se houver, virá das pessoas que ainda permanecerão vivas e que farão a encomendação da placa (e do corpo!). Então, vai prevalecer a percepção que as pessoas terão tido de você. E já que a ideia é refletir a vida, melhor merecer um epitáfio na linha do ser do tipo “esposa adorada”, “amigo fiel” do que na linha do fazer ou do possuir, do tipo “meu nome é trabalho”, “o homem mais poderoso da cidade”. Aliás, tem um ditado chinês sobre a morte que diz mais ou menos assim: “no final do jogo (de xadrez) o rei e o peão vão para a mesma caixa”. A música “Epitáfio” da banda de rock nacional Titãs toca muito:   “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer”... Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se pôr... Devia ter me importado menos, com problemas pequenos, ter morrido de amor...   Em vez de deixar esse balanço de vida para perto do suspiro final, podemos e devemos o quanto antes avaliar nossa maneira de passar por esse mundo. Vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, para que morramos como quem soube viver bem. Em tempo: o epitáfio de Jesus na cruz foi escrito por Pôncio Pilatos, em grego, latim e hebraico, “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”. Os chefes religiosos não gostaram muito, mas foi profético. De fato, ele era o Rei do Judeus e do alto da cruz por amor reinou sobre todo o mal, sobre todo o pecado e sobre a própria morte. 
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INUKSHUK

INUKSHUK

Você às vezes se pega assim, como eu mesmo, meio perdido, sem rumo ou direção? Sem saber pra que lado conduzir a sua vida? Precisando de referências para a sua vida pessoal e mesmo familiar ou comunitária?   Inuksuit (foto) são estruturas ou marcos de pedra construídos e utilizados por povos inuítes da região ártica da América do Norte, desde o Alasca até a Groenlândia. Esta região é dominada pelo bioma “tundra” e predominam ali áreas bastante vastas com poucos pontos de referência naturais. Inukshuk, a palavra no singular, significa na língua inuíte "à semelhança de um ser humano". São monumentos feitos de pedras não trabalhadas que são usados pelos nativos para a comunicação e a sobrevivência. O significado tradicional do inukshuk é "alguém esteve aqui" ou "você está no caminho certo".   Tal “monumento” pode ser pequeno ou grande, feito de uma única rocha, ou de diversas rochas equilibradas em si mesmas, pedregulhos redondos ou lisos. Construído a partir de qualquer pedra disponível, cada um é único. A tradição proíbe a sua destruição, sendo muitas vezes venerado como simbolizando um antepassado que soube sobreviver na terra na maneira tradicional.   Por que quis falar com você sobre os inuksuit? É que quando nos sentimos perdidos, sem rumo ou direção, com dificuldades em conduzir nossa vida cristã, podemos nos referenciar pelos marcos deixados pelo testemunho de vida daqueles homens e mulheres que nos precederam neste mundo, que apontaram caminhos, vias autênticas para o seguimento de Jesus Cristo: os santos e santas de Deus, nossos padroeiros!   Tudo isso é muito bom!
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Algoritmos: onipresentes, oniscientes, onipotentes?

Algoritmos: onipresentes, oniscientes, onipotentes?

Com quem você compartilha seus sentimentos, anseios e desejos? Onde você encontra boa companhia, compreensão e afeto? No mundo real ou no virtual? No Brasil – e no mundo – o Facebook está em primeiro lugar na lista de redes sociais mais usadas, com quase 90 milhões de usuários apenas em nosso país, seguido de Whatsapp e Youtube. Essas e outras redes estão onipresentes em smart-phones, smart-tvs, tablets, notebooks e demais equipamentos eletrônicos e cada vez mais ocupam o tempo e a atenção dos internautas. Esses programas ou ferramentas se utilizam de potentes algoritmos para disponibilizar informações pré-selecionadas com base no comportamento do próprio usuário e da sua rede de relacionamentos (amigos). Assim, para exemplificar, o algoritmo do facebook é um recurso utilizado para, principalmente, determinar o que é postado em primeiro no seu feed da tela principal. Isso baseado em fatores individuais que levam em conta não apenas os interesses do usuário, mas o seu comportamento na rede, quanto tempo permanece em determinado tipo de postagem, o uso dos recursos disponíveis (como curtidas, compartilhamentos, etc.) e demais interações com seus amigos. Em resumo: postou, pesquisou, curtiu, compartilhou, tudo isso vai orientando o algoritmo a organizar o seu próprio feed. Existem outros fatores utilizados para categorizar as postagens, para decidir o que é ou não importante para o usuário nesse ranking: famílias e amigos têm prioridade sobre páginas e empresas; o conteúdo, se informação ou entretenimento, também conta. O algoritmo do Facebook procura conectar usuários que compartilhem de pontos de vista semelhantes, principalmente quanto a ideais políticos ou religiosos. Assim, a rede observa as tendências de interação do usuário e de seus contatos e prioriza postagens que reflitam algo no qual o mesmo também acredita. Com isso se criam bolhas, no campo da política, no campo da religião: o internauta tem a impressão de que a grande maioria ou o mundo inteiro pensa igual a si mesmo. Outro algoritmo, do Google, sugere sites no resultado de buscas e disponibiliza banners comerciais personalizados em função dos interesses do usuário. Outro, no Youtube, propõe playlists de vídeos ou músicas personalizados, customizados de modo iterativo com o próprio usuário e suas preferências manifestadas em navegações e cliques anteriores, informação essa guardada de modo quase onisciente em poderosos servidores e gigantes bancos de dados dessas empresas. Ou seja, a impressão que se pode ter é que ninguém nos conheça mais intimamente do que o nosso computador e, mais ainda, em nossas mãos, o smart-phone. Nossas preferências e gostos pessoais, anseios, desejos secretos, necessidades mais profundas, falsas necessidades consumistas, etc. Isso foi muito bem retratado no longa-metragem norte-americano de 2013 intitulado “Her” (no Brasil, “Ela”), uma comédia dramática, de ficção científica (será!?) e romance escrita, dirigida e produzida por Spike Jonze. O premiado filme é estrelado por Joaquin Phoenix que se apaixona por Samantha, ninguém mais ninguém menos que o sistema operacional, isto é, o algoritmo personificado de seu smart-phone na voz feminina e sensual de Scarlett Johansson. Se você ainda não assistiu, assista... você vai se apaixonar! De fato, você poderá em certo sentido se auto-identificar como um ser humano cibernético ou, por outro lado, reconhecer o valor das pessoas na sua vida real. E, vou mais além, que tal abrir-se, em momentos de intimidade na oração, na meditação? Afinal, onipresente, onisciente e onipotente somente Deus! Curtiu? Compartilhe! p.s. cada vez que você acessa, curte ou compartilha essa ou outras postagens da Rádio Magnificat nas suas redes sociais você alavanca a evangelização no mundo digital; isto é, faz com que aquilo que é importante para você vá ganhando visibilidade – e esse trabalho quem faz é o algoritmo – também nas redes dos seus familiares e amigos!    
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Aleluia, aleluia!

Aleluia, aleluia!

Cristo ressuscitou aleluia, aleluia!   Irmão, irmã, Feliz e Santa Páscoa a você e sua família!   Páscoa é passagem da morte para a vida, das trevas para a luz! Pois “todo aquele que está em Cristo e uma nova criatura, passou o que era velho, eis que tudo se fez novo! (2Cor5,17)   O encontro pessoal com o Ressuscitado enche de alegria e esperança o nosso coração: Ele é o vencedor da morte pela sua cruz e ressurreição! Quando temos um encontro pessoal com Jesus, a nossa vida se ilumina, nossa existência ganha nova perspectiva, novo propósito! Queremos compartilhar com mais pessoas aquilo que experimentamos...     Então:   Como as mulheres que foram ao sepulcro e o encontraram vazio; Como os apóstolos Pedro e João que viram os panos depositados no chão; Como os discípulos de Emaús que o reconheceram ao partir o Pão...   e saíram para os quatro cantos desde Jerusalém até os confins da terra para anunciar a vitória de Cristo, também nós, hoje, aqui e agora, somos impulsionados na fé a anunciar ao mundo que Jesus Cristo é o Senhor! Ele vive, ele reina, ele impera!   Essa é a razão de ser da Magnificat FM, anunciar com voz forte do alto da torre da nossa emissora em Limeira para toda a região a Boa Nova de Jesus Cristo.   Sua família está em crise? Jesus vive! Sua comunidade está em crise? Jesus reina! O Brasil e o mundo estão em crise? Jesus impera!   Vamos nos unir ainda mais, temos que espalhar pelos ares essa ideia de Deus! Saiba que você, sócio contribuinte, sócia contribuinte, é uma testemunha da ressurreição de Jesus!   Com Maria, a Estrela da Evangelização, vamos juntos levar aos mais diversos ambientes a presença amiga e a palavra libertadora de Deus, o serviço, a amizade, a solidariedade, a paz!   Shalom! A paz de Jesus, o Cordeiro Pascal, esteja no seu coração!
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