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Tá indo pra onde? parte 3: o caminho

Da última vez que tratamos desse assunto, isto é, a viagem da nossa vida, que tem uma origem, um caminho (ou vários) e um único destino, refletimos um pouco sobre as pessoas que viajam junto. Amigos da infância e juventude, pai, mãe, irmãos de sangue e irmãos de fé. Não podemos destratar ou descartar as pessoas. Para não se chegar sozinho. Então, de que modo chegar lá? Isso diz respeito a construir relacionamentos. Bons relacionamentos. Ajudar pessoas para ajudar a crescer e crescer com elas. Compartilhar. Na maioria das vezes, o caminho é tão importante quanto o local de chegada. Vamos olhar para Jesus, O caminho.

 

Um dos princípios que mais admiro em Jesus é o da comensalidade. Sentar-se junto à mesa para tomar a refeição. Ali conversar, contar e ouvir histórias, sorrir e sonhar juntos. Não tem momento mais sagrado do que este. Tanto que Jesus institui a eucaristia, a santa ceia, ele se dá a si mesmo como alimento num contexto de refeição em comum. Para que esses momentos ocorram é preciso a prática da hospitalidade.

Quando se recebe uma pessoa na sala de visitas é porque ela é mesmo uma visita, gente de pouca intimidade conosco. Quem é da casa, a gente recebe mesmo é logo na cozinha. Ali é lugar pra gente com quem se tem intimidade. Abrir a geladeira é como abrir o coração. Assim Jesus constrói relacionamentos profundos, sólidos, de amizade, de intimidade e comunhão. De amor ágape, amor hesed. Jesus olha nos olhos e vê o coração. Jesus conta parábolas o que não significa que ele fala de futilidades, que ele é alienado. Muito pelo contrário. Com suas parábolas fala diretamente das coisas da vida. E no meio das coisas da vida fala das coisas do reino, das coisas do alto. Atrai um grupo de pessoas, que se torna com ele uma só família, uma comunidade. Pessoas que entram na vida dele e ele na delas para ficar. Pra sempre.

 

Para ouvir uma pessoa e preciso gastar tempo com ela. Ou melhor, investir tempo com ela. Falar e ouvir. Ouvir mais do que falar. Rir e chorar. Fundir os corações, as almas, numa única história de amor. Gosto muito daquela canção:

 

“Cada um de nós tem uma história, e de repente aqui estamos nós

cada um por um caminho veio, e hoje estamos todos juntos,

guiados pelo Espírito de Deus”.

 

Nesses meus cinquenta anos tenho encontrado alegria em poder compartilhar experiências vividas, sucessos e fracassos, erros e acertos, com outros irmãos e irmãs queridos. Deles também tenho acolhido tantas coisas boas, ouvido histórias, sonhos e fantasias, dúvidas, conquistas, frustrações. Aprendi muito com eles. E, muito mais ainda, aprendi com Jesus, o Divino Mestre. Na maioria das vezes, essas conversas ou partilhas, verdadeiras trocas de experiência, aconteceram à mesa.

 

Como você tem vivido a hospitalidade? A acolhida? A comensalidade? A vida familiar e comunitária? A fraternidade? A vida eucarística? Já teve que comer sozinho uma refeição, porque o amigo não veio? Porque a pessoa amada se afastou? Já se preocupou mais com o cardápio do que com os convidados?

 

Para pensar nisso, que tal fazer a leitura orante de uma passagem da Sagrada Escritura? Sugiro Jo 12, 1-8.

 

Faça a experiência e, se gostar, compartilhe comigo como foi.

diacono.ricardoisaac@gmail.com

 

Deus ilumine o seu momento!