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Tá indo pra onde? parte 4: o tempo e a eternidade

“Jesus sabe exatamente quem é e qual a sua missão neste mundo. De onde vem e para onde vai, com quem vai, como vai e pra fazer o quê.”

 

Olá de novo! Obrigado a você que chegou até aqui, passando pelas outras três partes dessa breve reflexão sobre ver a vida como uma grande viagem: a importância de se saber aonde chegar, com quem e como caminhar. Quando se vai viajar é importante, além de traçar um itinerário, fazer um cronograma. Planejar. Ainda mais se a viagem é de longa distância e demorada. E passando por lugares em que nunca se esteve antes. Vivenciando situações inusitadas. Então, por último, quero falar com você sobre o tempo e a concretização dos nossos objetivos de vida.

Olhando mais uma vez para o Evangelho, percebemos que Jesus tem como meta Jerusalém. Não só o lugar físico, geográfico, mas principalmente tudo o que ela significa. A cidade santa simboliza a aliança entre Deus e o povo eleito, o lugar sagrado, do culto, da presença de Deus. Era uma referência para toda a nação. Era um projeto que se tinha em comum, que mantinha a identidade do povo da aliança. Depois de décadas de exílio, o templo foi finalmente reconstruído e a cidade tornou-se o centro econômico, político e religioso. Ainda no exílio o povo suspirava:

“Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que minha mão direita se paralise! Que minha língua se me apegue ao paladar, se eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias” (Salmo 136, 5-6).

Aqui entra a importância do sonho: a utopia, ainda que pareça algo inatingível, inacessível, nos faz andar e mais, tem a função de nortear a nossa caminhada. Como foi dito, Jesus também anseia por atingir a sua meta, a cidade santa: tanto a Jerusalém terrestre, onde irá comer a Páscoa com seus discípulos, oferecendo-se a si mesmo como cordeiro imolado; quanto a Jerusalém celeste, onde será o nosso alimento por toda a eternidade. Mas para isso, ele vive o “só por hoje”, vive o momento presente, dando a ele ares de eternidade. Sendo eterno, ele entra no tempo para nos levar à eternidade de Deus. De fato, ele vai eternizando cada momento de sua vida com os gestos, as palavras, o amor. O ideal do Reino de Deus, Jesus planta no coração das pessoas, discípulos e discípulas que ele ama, compartilhando o tempo e a própria vida. O sonho sonhado sozinho é apenas sonho, fantasia, ilusão que se desvanece. O sonho sonhado junto se torna ideal, objetivo que vai se concretizando no tempo, rumo à eternidade.

Assim, para terminar, meu irmão de fé e de caminhada, quero falar da esperança. Ela é diferente de uma simples expectativa. Nossas expectativas são breves e limitadas. Elas se frustram, se perdem no pó da estrada. Algumas acontecem, outras não. Nossa esperança no Reino, ao contrário, se estende pela fé rumo à eternidade. Um conselho: é melhor caminhar devagar, na direção certa, do que rápido, na direção errada. Quanto mais rápido se anda, neste caso, mais se afasta do alvo, da meta. É melhor andar devagar, na direção certa. O tempo que temos é o tempo da nossa vida, traduzido no hoje da nossa existência sobre a terra. Hoje é o dia da salvação, o dia favorável.

Você tem andando desanimado? Frustrado com alguma coisa em sua família, empresa, comunidade? Com a própria sociedade e a humanidade? Talvez você tenha se frustrado até mesmo com Deus. Por ter projetado expectativas que não aconteceram quando e como você queria. Mas, tenho certeza disso, se parar para orar e refletir irá perceber que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. E que a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em sua vida, em nossa vida, pelo Espírito Santo que sempre nos conduz à plenitude, para frente e para cima, no tempo, rumo à eternidade.

Para pensar nas coisas da vida, separando expectativas puramente terrenas daquela esperança que temos em Deus, proponho uma última leitura orante da Sagrada Escritura: o Capítulo 11 (inteiro) do Evangelho segundo São João.

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diacono.ricardoisaac@gmail.com